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日志


11月4日

Coelhos e Tambores

 

 

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Não acredito que as coisas tenham começado em algum momento. Como se apertassem start e pronto: o rolo compressor disparou ladeira a baixo. A realidade não tem gasolina ( ou hidrogênio, tanto faz). Essa coisa sempre esteve por aqui. É complicado esse trem: afinal de contas é a gente mesmo que está aqui; e o que importa é o despertador amanhã cedo, agüentar amolação de serviço e ler os textos da faculdade.

Enfim, também não acho que o trem vai indo numa ascensão infinita, ou tenhamos um juízo final. A coisa sempre esteve por todos os lados. Esse negócio de Deus tirar um coelho da cartola é um truque meio barato: - o rapaz, calma aí que a coisa não é por aí, não!

Por isso que eu estou mais com os hindus – o trem é replay mesmo. Bate um tambor à coisa vai - solta fogo à coisa destrói. Fim de domingo é segunda feira começando; fim de sexta feira é sábado começando.

Tudo bem. Concordo que é absurdo acreditar que as coisas sempre existiram e os apocalipses são simples renovações, fim de uma era e começo de outra – que o tempo é circular, destruição e renovação caminham lado a lado; mas esse trem de tirar coelho de cartola (sem que haja coelho ou cortola), pra mim é safadeza... Entre “Fiat lux”, que tudo vem do nada, e o tambor e fogo de Shiva - que nunca existe nada, eu to com a Shiva... Só questão de gosto - entre absurdos, escolhe-se o que mais nos ensurdece. Shiva é o reset do Universo...    

 

 Sobre Shiva...clique aqui

10月28日

Aforismo 01

De Drummond a Machado, da Garota de Ipanema ao palavrão; da corda de Luís da Silva ao orgarmos de Capitú; o homem na estrada, e o não da ex-namorada; A Blíblia de domingo, o Cardápio do buteco - a crise da bolsa abandonada no balcão... Ora essa: é tudo coisa do alfabeto - entre no jogo. 
 
 

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10月14日

Big Bang de proveta

 

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Marcos Vinícius– 3 de outubro de 2008

 

São Tomás de Aquino, em sua Súmula contra os gentios afirma categoricamente que as verdades da razão natural não contradizem as verdades da fé cristã. Segundo o teólogo, “Deus não pode infundir no homem opiniões ou uma fé que vão contra os dados do conhecimento adquirido pela razão”; mas essa afirmação, pautada no princípio de autoridade, que recorre aos textos de São Paulo, na Epístola aos romanos, e a interpretação agostiniana da Gênese, está longe de resolver o diálogo ontológico e histórico estabelecido entre a ciência e a fé, que refere-se diretamente a estrutura do homem enquanto ser dilacerado pela imanência de seu corpo, onde habita a transcendência de seus sentimentos e reflexões. Kafka apresenta bem essa situação de dilaceramento em um de seus aforismos:

 

Ele é um cidadão da terra, livre e seguro, pois está ligado a uma corrente suficientemente longa para fazer com que todas as áreas lhe sejam acessíveis sem restrições e, no entanto, longa apenas na medida em que nada pode forçá-lo a ir além dos confins da terra. Ao mesmo tempo, porém, ele é um livre e seguro cidadão do céu, ao qual de modo semelhante também está ligado por uma corrente calculada. Se deseja descer à terra, é sufocado pela corrente celeste presa ao seu pescoço, como uma coleira; se deseja elevar-se ao céu, é sufocado pela corrente terrena. E, não obstante, tem ele todas as possibilidades e assim o sente; na verdade, ele se recusa até a explicar todo o conjunto como um erro no acorrentamento original. (Franz Kafka)

 

Aristóteles, diz que o desejo de conhecer nasce do espanto do homem em relação ao mundo, dessa intuição avassaladora que algo ultrapassa infinitamente nossa individualidade. E por essa necessidade tipicamente humana de apreender esse infinito, e encontrar a causa do movimento das coisas, os homens criaram deuses, cachaça, fórmulas matemáticas, obras de arte, livros de mil e seiscentas páginas, e religiões de todo tipo. A princípio, os homens contentaram-se em contemplar a realidade, sua beleza e dignidade. No ocidente, a expressão maior dessa estrutura de manejo da realidade, está na Grécia, com os primeiros filósofos, àqueles que convencionalmente chamamos de pré-socráticos. Esses pensadores viveram imersos na angústia da percepção intuitiva do Absoluto, e na incapacidade de pronunciar um discurso lógico que refletisse exatamente aquilo que os devorava. A esse respeito diz Nietzsche, ao comentar os fragmentos de Tales de Mileto:

 

O que é o verso para o poeta, aqui é para o filósofo o pensar dialético: é deste que ele lança mão para fixar-se em seu enfeitiçamento, para petrificá-lo. E assim como, para o dramaturgo, palavra e verso são apenas o balbucio em uma língua estrangeira, para dizer nela o que viveu e contemplou e que, diretamente, só pode anunciar pelos gestos e pela música, assim a expressão daquela intuição filosófica profunda pela dialética e pela reflexão científica é, decerto, por um lado, o único meio de comunicar o contemplado, mas um meio raquítico, no fundo uma transposição metafórica, totalmente infiel, em uma esfera e língua diferentes. Assim contemplou Tales a unidade de tudo o que é: e quando quis comunicar-se, falou da água!(Nietzsche)    

 

Essa impossibilidade de lidar com o Absoluto obriga muitos pensadores em várias culturas, a adotar uma via negativa de relação com o todo. O místico é justamente aquele que não afirma positivamente algo sobre o Absoluto, mas aproxima-se dele mostrando aquilo que Ele não é, pois reconhece a própria pequinês diante do Universo, e os limites impostos por nossa finitude. Assim  diz o poeta Rumi, “O que quer que pensem de nós/ em nada parecerá ao que somos” ou ainda, “Silêncio!/ És feito de pensamento, afeto e paixão/ O que resta é nada/além de carne e ossos”.

 

Rumi reconhece o limite do discurso racional e se participamos do divino é por meio da intuição sensível, pelo amor ao Absoluto: “Prisioneiros não somos/ do tempo nem do espaço/nem mesmo da terra que pisamos. / No amor fomos gerados, /No amor nascemos.”

 

O pensador Iluminista Kant, advertiu que a razão não pode lidar com o Eterno, e que apenas possuímos uma representação finita da realidade, imposta pela estrutura própria do pensamento, mas jamais alcançaremos à realidade enquanto tal. A razão não pode penetrar no Absoluto. Mas ao que parece, a advertência desse pensador não afetou os homens de Ciência.

 

O desejo (o eterno insatisfeito) de apreender a realidade através da razão é um libertino desvairado que se confunde com a própria noção de humanidade. Isso pode ser muito bem ilustrado pela representação da tradição religiosa e mitológica: Adão e Eva não se deram por satisfeitos com o Paraíso, Psique não se contentou  em amar Eros sem lhe ver o rosto, apesar de todas as advertências do deus a mortal... Em ambos os casos, as personagens sentem-se tragadas à dimensão humana estrutural do transcender, dessa forma, têm a necessidade de repelir a inércia das coisas que já possuem e conhecem.   

 

O homem de razão é o desejo de conhecer e dominar a natureza. Como um jovem adolescente obcecado pela paixão, é capaz de subjugar qualquer obstáculo a fim de desposar sua amada. E não lhe basta contempla-la, meio que à distância, não para quieto em sua cadeira no teatro da vida, não consegue apenas contemplar o espetáculo; é necessário possuir, tocar, despir a realidade integralmente, como o amante despoja sua amada das vestes na penumbra do quarto. Mas ao contrário da mulher de carne macia, perfumada e de unhas pintadas, que muitas vezes mostra-se por vontade própria, a realidade nunca se apresenta toda nua; há sempre uma outra veste submersa, àquela veste jogada ao pé da cama.

 

Eis, portanto, o espetáculo da ciência: um bando de homens de jaleco branco, trancafiados no bordel da razão, eternamente fadados a apreciar um striptease que nunca se completa. Catam tal qual mendigos os véus que a realidade lhes fornece, discutem entre si sobre os detalhes da roupa, sorvem-lhe o perfume, alisam a textura do tecido, alguns chegam até a vesti-la para imitar os passos da dançarina, enquanto outros, de prancheta na mão - observam, criam hipóteses, refutam e argumentam, pronunciam conclusões eloqüentes; mas de repente, um deles lhes adverte que o show continua - e no palco, a garota misteriosa ainda está vestida - dança e ri com cinismo.

 

Esse grandioso experimento da atualidade, que sonda as origens do Universo, é só mais uma tentativa frustrada de despir a realidade completamente. E mesmo que suas descobertas possam propiciar avanços tecnológicos significativos, em diversas áreas da ciência, não revelará nada além de um simulacro sobre o outro simulacro. Ah, se um matuto das nossas bandas topasse com um desses pesquisadores...

 

O mineirinho, sistemático e desconfiado ouviria quieto e atentamente as frases cheias de Relatividade e Cosmologia costurar o monólogo do sabido cientista. E depois que o motorista de jaleco branco, que debréa, engata, acelera e freia partículas subatômicas, entre outros nobres e obscuros rituais, terminasse sua extravagante palestra, o mineirinho - que tinha pressa, porque tinha de tratar das criação – soltaria um trago de seu fiel paierinho, antes de dizer:

 

- Rá... O buraco é bem mais pra baixo, seu Dôtor!

 

Não podemos negar, no entanto, que Fé e Razão, apesar de seguirem caminhos aparentemente distintos, partem do mesmo lugar, da necessidade do homem relacionar-se com o Absoluto, enquanto instrumento de amparo que permite ao indivíduo lidar com os desafios da vida concreta e cotidiana, de maneira mais segura. Se ao longo do percurso atritam e distancia-se é única e exclusivamente pelo dogmatismo dos soldados entrincheirados de ambos os lados, advogando para si a posse do verdadeiro saber.

 

E talvez, no pequeno fragmento desse evangelho apócrifo, atribuído a Maria Madalena, em que ela relata a conversa que teve com Cristo após a ressurreição, esteja uma abertura que poderia, não resolver a questão - é evidente,  mas pelo menos nos fazer refletir um pouco a respeito: “Eu (Maria Madalena) lhe disse: 'Mestre, aquele que tem uma visão vê com a alma ou como espírito?' Jesus respondeu e disse: ‘Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência, que está entre ambos - assim é que tem a visão.”

 

A palavra alma aqui deve ser interpretada no sentido de sentimento, de fé. Alma, etimologicamente é aquilo que anima o corpo, e possui a mesma raiz que a palavra animal. Portanto, alma pode ser interpretado como instinto, intuição, paixão, fé.

 

O termo espírito etimologicamente liga-se ao verbo “soprar”, “respirar”, que nos remete a algo mais etéreo, mais abstrato, como intelecto, raciocínio e inteligência.

 

Desta forma, seguindo na nossa interpretação, podemos extrair desse fragmento que nem a intuição proporcionada pela fé, e nem o intelecto – isolados entre si - podem proporcionar o “ver”. Diz Jesus: “Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência, que está entre ambos”.   

 

Esta palavra, consciência, é constituída de um sufixo, ciência, que não se confunde com as disciplinas científicas; na sua origem ciência  refere-se à espisteme que quer dizer Verdade, conhecimento verdadeiro que é diferente de doxa, opinião ou  conhecimento vulgar. Ao sufixo ciência é acrescida o prefixo, com, que quer dizer, junto a. Portanto, consciência significa “junto à Verdade”, “estar na Verdade”, “ser junto à Verdade”.

 

Maria Madalena só viu Jesus, porque estava junto à Verdade; não foi apenas por sua fé, nem por sua inteligência. Mas por permanecer num estado paradoxal e limítrofe onde fé e razão confundem-se e ao mesmo tempo distinguem-se.

 

Afirmando que ciência e fé dialogam - e que partem de uma mesma necessidade humana - extraímos necessariamente, a noção de que compartilham o modo de expressão, o meio de comunicação, que se entendem (não no sentido de concordarem, mas no sentido de se comunicarem) e anseiam a mesma finalidade – apaziguar os demônios internos do homem concreto, e fortalecer o indivíduo na árdua tarefa da conquista da liberdade e da prática da tolerância. E se por ventura a hiper-especialização desenfreada das ciências em campos particulares - fragmentação do saber científico - tem desviado o verdadeiro caminho da ciência do comprometimento para neutralidade; e que a ortodoxia das instituições religiosas não tem cedido às questões impostas pela contemporaneidade, como capitalismo de mercado e a globalização e suas mazelas - não podemos dizer que há de fato um diálogo entre ciência e fé.

 

Contudo, não se trata de efetuar uma síntese teórica, ou atingir um meio-termo epistemológico; mas de uma conscientização: entender esse estar junto à Verdade como um movimento perpétuo a - abertura a possibilidade da Verdade, assim podemos falar de diálogo, caso contrário, não passa de mera disputa teórica, ou de apropriação do modismo “Holístico”.

 

Tanto ciência como fé objetivam apenas melhorar a vida das pessoas comuns, pelo menos era essa a idéia, se não for para isso, ambas se tornam obsoletas. No Evangelho de Lucas encontramos uma passagem valiosa, que da na nossa perspectiva de interpretação, fornece uma possibilidade singular:

 

“ Muito povo  acompanhava  Jesus.  Voltando-se,  disse-lhes:

‘Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo’  ”.  (Lucas 14, 25-26)

 

Jesus é à Verdade encarnada, e só poderia ser discípulo da Verdade aquele que abandonasse os interesses pessoais e a vaidade pessoal, entregando-se enquanto indivíduo solitário a conquista da liberdade e da responsabilidade por si mesmo: eis o maior de todos os deveres – a cruz que temos que carregar.

 

“Amei o senhor o teu Deus acima de todas as coisas e teu próximo como a ti mesmo”, disse Jesus.

 

Tanto ciência quanto a fé, abrem a possibilidade de  melhoramento do indivíduo concreto, através do ajuntar-se à Verdade – “Amei o senhor o teu Deus (Absoluto) acima de todas as coisas”. O apostulado dessa mesma Verdade é, portanto assumir a liberdade e a responsabilidade enquanto indivíduos perante nós mesmo, que não deve ser entendida no sentido de egoísmo ou individualismo, mas justamente no sentido de que nos fala Sartre:

 

Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. (...) Portanto, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira. Sou, desse modo, responsável por mim mesmo e por todos e crio determinada imagem do homem por mim mesmo escolhido; por outras palavras: escolhendo-me, escolho o homem. (Sartre)

 

Ao dizer que somos responsáveis, não apenas por nos mesmos, mas pelo homem, Sartre que dizer exatamente o que Kant disse anos antes - que ao realizarmos uma escolha devemos pensar: “E se todos agissem como eu? Se todos fossem indiferentes?” Ora, isso não é outra coisa senão o “amar o próximo como a ti mesmo”.  

 

Os homens da fé e da ciência deveriam antes de ligar-se a debates acadêmicos, refletir sobre essas questões. E nesse sentindo que o matuto, em toda a sua simplicidade diz:  

 

- Rá... O buraco é bem mais pra baixo, seu Dôtor!

 

 

Aliás, o pessoal sempre encena a morte e paixão de Cristo, com vestes, leituras e procissões (tem gente que nem come carne); porque não deixar os cientistas encenarem o Natal do Universo?

 

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9月29日

O dever de ser livre.

 

      

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“Muito povo acompanhava Jesus. Voltando-se, disse-lhes: ‘Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo’  ”. Lucas 14: 25-26

 

 

O voto é um dever. Bom, quando eu estava na escola, lembro que as professoras sempre passavam dever pra gente. Isso era um meio de exercitar o conteúdo aprendido na sala de aula. Eu sempre fiz meu dever sozinho, porque era muita desonestidade pedir para mãe ou para o irmão mais velho fazer  as tarefas da gente.

 

Nem todo mundo é assim. Tem sempre aqueles que deixam as tarefas que são suas, nas mãos dos outros. Porque tem medo de encarar a responsabilidade ou preguiça de pensar por si mesmo - realmente não é uma coisa muito fácil pensar por si mesmo. Também têm aqueles que apesar de fazerem as tarefas de casa, não fazem no sentido de apreender; mas para passar de ano, para ganhar nota, se a professora passa um dever que não terá um visto em vermelho, ou que acrescentará alguns pontos na média final, não fazem. Outros passam a fazer as tarefas só quando estão ameaçados de reprovação, estão precisando desesperadamente de nota... Mas os piores de todos, são aqueles que fazem tudo direitinho, simplesmente pra garantir o status de aluno dedicado, de geniozinho da sala.

 

Exercer um dever para obter resultados, é a pior forma de prostituição, seja por notas ou pelo desespero da reprovação. Mas os piores de todos são os que enganam a si mesmos pela vaidade de manterem a fachada de eternos vencedores. Ai daquele que cumpre seu dever por interesse...

 

Jesus foi a Verdade encarnada, e só poderia seguir a Verdade aquele que abandonasse os interesses pessoais e a vaidade pessoal, entregando-se enquanto indivíduo solitário a conquista da liberdade e da responsabilidade por si mesmo: eis o maior de todos os deveres – a cruz que temos que carregar.

 

Quem realiza um dever por interesse, seja qual for à natureza desse dever, é um mentiroso, mascarado, um covarde que tem medo de encarar a responsabilidade de ser livre, é o mesmo que grita no meio da multidão, contagiado pelo anonimato da massa: “Soltem Barrabás!!!”.

 

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O verdadeiro sentido do voto é o exercício da liberdade do indivíduo perante sua comunidade, é o maior dever do cidadão. Aqueles que deixam a radicalidade desse sentido ser deturpada por interesses pessoais, por medo de coerção externa (se eu não votar nele perco meu emprego), e pela vaidade de estarem sempre vencendo (não voto em fulano porque vou perder meu voto), não podem ser chamados de cidadãos: não passam de crianças preguiçosas, malandras, desesperadas ou egocêntricas. Não acham que é hora de crescer crianças?

Para terminar, lembro a célebre frase de Voltarie, defensor da democracia e da liberdade:"Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la”.

 

Marcos Vinícius - 29 de setembro de 2008

8月13日

Manual de auto-sobrevivência contemporânea

Parte 3

 

 

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A merda toda começou da maneira mais besta possível. Em um baile de Hallowen do segundo grau, eu nem estava mais no segundo grau, mas estava na festa. Parece até comédia romântica da tela quente, mas não é. Me fantasiei de televisão, colocando uma caixa de papelão coberta por papel preto na cabeça. A tela era uma radiografia do pulmão da minha mãe, que fuma demais, e por isso eu enxergava pouco do lado de dentro e quase ninguém me reconhecia do lado de fora.  Se ela me permite a gafe, não me lembro a fantasia que usava, acho que era uma espécie de fada do mal, ou Elfo fêmea, realmente não me lembro. O que importa mesmo, é que quando estávamos sozinhos; exceto, apenas por meu irmão vestido de homem bomba que quase explodia sobre uma amiga dela vestida de bruxa - quando era hora de beijar, e como eu sou um pouco mais velho que ela, e na época não poderia ser diferente, tasquei-lhe a mão na bunda. Algo normal para mim; não para ela.

- O que é isso menino? – ela retrucou enquanto se afastava e freneticamente apontava sua varinha mágica pra mim. Temi por um feitiço, tamanho o susto.

- O que é isso, digo eu menina...

- Eu não sou dessas, viu... (o discurso todo ensaiado) Tá pensando o quê? Que eu sou dessas menininhas que você tá acostumado a pegar por aí? Heim? Pensou errado – e jogou o cabelo trás, girou o tronco e parou de braços cruzados batendo o pé direito no chão.

- Uai... Não fiz nada demais... – eu realmente estava confuso.

- Aff... – e virou o rosto para rua.

Inclinei o corpo, estendi os braços devagar e trouxe-a para perto novamente, sem resistência, aliás.

- Não gostou do beijo? – eu perguntei com ar sedutor.

- Não gostei foi da mão... – disse no ar de cinismo emburrado e dissimulado que só ela tem.

- De mãos pra trás, então... – eu disse próximo da boca dela.

- Então tá... – riu e me beijou.

8月9日

Manual de auto-sobrevivência contemporânea

Parte 2

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  Rodo a chave no interior da fresta por duas vezes. Forço estupidamente a maçaneta da porta para me certificar de que está definitivamente trancada. Abandono à chave na escrivaninha antes de me sentar na cama.
  - Me espera, eu já estou acertando as coisas - foi o que ela disse enquanto eu procurava por um cigarro no bolso.
  Que tipo de idiota aceita uma situação dessas? Eu, é claro. O menino de orelhas grandes que senta no fundo da sala. Que fala coisas agradáveis quando alguém reclama da vida. Que liga antes que ela ligue. Que diz o que pensa e que acaba enfiando os pés pelas mãos com uma facilidade tão grande que isso nem faz tanta diferença assim.
  Estico a mão e aperto play no mp3 conectado à caixa do meu contrabaixo. Ajusto o volume para não incomodar ninguém na casa. Que inveja eu tenho do homem invisível. Num momento desses estaria andando bêbado por banheiros femininos de um monastério. Seria muito divertido, aliás.
  - Você vai esperar? – ela diz ao mesmo tempo em que me olha nos olhos com certo tom de sinceridade, tentado me fazer pensar a história toda como a melhor coisa que tenha acontecido na humanidade desde a bomba atômica.
  - E que mais eu poderia fazer? Não estou em condições de exigir nada...- eu respondo antes de acender o cigarro.
O volume da caixa está com mau contato. Um chiado repentino aparece cada vez que tento encontrar a regulagem perfeita, o que me força a deixar a música um pouco baixa demais.
  - Vai esperar mesmo? – ela insiste.
  - Sim...
  - De verdade?
  - De verdade... Mas você pelo menos poderia tirar essa aliança de compromisso quando estiver comigo.
  Abandono meu corpo na cama e fico pensando em cenas de filmes de David Lynch. Depois em idiotices que disse quando estava bêbado. Até não pensar em nada específico.
  - Eu te odeio, sabia – ela diz antes de bater o pé direito sutilmente no chão.
  - Eu também te amo...
  Ela ri e fica me olhando com uma cara idiota, igual criança pequena quando vê algodão doce pela primeira vez.
 
8月5日

Manual de auto-sobrevivência contemporânea

Parte 1

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                    Sou muito displicente. Já tem um bom tempo que não escrevo um texto que tenha um sentido objetivo. Fico apenas colocando para fora as giletes que lixam meus ossos quando ando de casa para o trabalho. E definitivamente não sou um bom cirurgião. A cada lâmina extirpada, uma nova necrose incha sob a pele, e depois de cristalizada volta cautelosamente a roer minhas juntas de modo mais sorrateiro. Não precisava de tantas metáforas, é verdade, mas o fato de não escrever regularmente desespera-me à forma de tortura chinesa.

Isso acontece,  em primeiro lugar, porque  tenho verdadeiro prazer em escrever. Quase uma tara. Ficou eufórico, entorpecido, exaltado, mas também fico calmo, relaxado e prudente. Fico mais vivo, para ser exato. O outro motivo - exatamente oposto ao primeiro - é que, ao escrever, dissipo-me no texto. Não sou eu atrás do teclado. Não são meus dedos patinando nas teclas. Nem minha voz de fantasma ditando as palavras na  minha cabeça. Não há limite. Nem nitidez. Eu não existo naquele momento. Escrever é uma maneira singular de deixar a existência de lado. Escrever é morrer, e depois renascer.

Todo escritor enfrenta essa nadeza. Para criar é preciso estar vazio, solitário, em silêncio para o mundo; definitivamente, abandonado e desprendido. É mais que necessário deixar de ser você mesmo, largar os fardos no alpendre de casa. Esquecer as virtudes, e principalmente a vaidade. Não há depois, porque no momento da escrita,  a própria escrita é intocável, um espectro, apenas.

                     A escrita é, para mim, questão de sobrevivência. Existo dessa maneira, da melhor maneira possível e, através dela, deixo de existir para sobreviver.

...

7月19日

Ao pé da serra

(conto selecionado no Concurso de contos da UFSJ - este ano)

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O rapaz na beira do balcão é sem dúvida alguma um sujeito trabalhador. Dá pra ver o sol fundido na sua pele. Até o vidro do copo parece retorcer-se quando ele o tem nas mãos pedregosas. Porque, por aqui, respira-se pedra. Fachadas revestidas de pedras. Calçadas de pedra. Artesanato de pedras. Conversas de pedras. Daqui do bar não dá pra ver. Mas logo adiante, depois do Ribeirão da Toca, uns pequenos desertos brotam feita hemorragia através da Serra. Esse mesmo rapaz aí, com seus braços troncudos e veias protuberantes, passa o dia todo no interior dessas frestas. De marreta nas mãos, dilacerando e erguendo blocos maciços. Cercado por caminhões fumacentos, carregadeiras amarelas e sujeitos com pulmões cheios de areia. Acorda sempre às cinco da manhã. Liga o rádio a meio volume. Coloca água para ferver e vai logo tratar das criação.  

A mulher não é bonita, mas pelo menos é certa. Aceita o bafo de cachaça, mas não gosta de mentiras. Com o tempo, eles estabeleceram um acordo silencioso, desses que não se combina nada de boca, mas que a gente sabe como é que funciona. Você me respeita e eu te respeito.

Enquanto olha o relógio, Curimba calcula tudo de cabeça. A conta do bar, o dinheiro que tem que dar para a mulher pagar a padaria e, principalmente, o tempo que ainda lhe sobra.

- Mais uma aí Raimundo.

- Copo cheio?

Roda o imborná sobre o tronco enquanto estende o copo vazio.

- Não... Tá tarde... A mué me mata.

O copo absorve a bebida do litro. Que bruta dose, pensa Curimba. Mas não diz nada. Tira o maço de cigarros do bolso. Além desse só mais um. Lembra da conta da padaria. Aperta as notas dentro do bolso. Cinqüenta reais não valem nada. Olha os cigarros no interior do balcão. Depois eu compro. Mas está com fome. Em casa já tem janta. Tereza deve estar assistindo novela. Era para ter ido direto pra casa. Matar aquele frango que compro do Zé da Mata.

- Dá um pedaço de carne pra mim – diz apontando para estufa.

Enfia o cigarro na boca. Puxa o isqueiro amarelo do bolso. O pedreiro pára do seu lado.

- Que pinga que é essa aí, Curimba?

- Do Tião Ladário.

- Boa, né?

- Ah...  Fala a verdade, sô. Num tá teno outra igual não, viu? Dá um bico aí.

- Tô meio parado.

- Ocê falou! Larga mão de bobagem.

- Tô memo. Sério.

Raimundo coloca o tira-gosto no balcão. Dois pedaços de carne e duas batatas.

- Aproveita o tira-gosto. Eu vou tomar.

Sente um ardor na garganta. Depois a carne gordurosa entre os dentes. Fica um resto de pinga no copo. Os meninos pagam as fichas de sinuca e vão embora.

- Vai tomar não, Vicente?

- Sei não Curimba. Se eu começar eu não paro.

Vira o resto da pinga. Mastiga a batata.

- Cerveja ocê toma, né?

- Tomo.

-Toma uma comigo então, Vicente. Dá uma cerveja pra nóis aí, Raimundo.

A mão na aba do freezer. O abridor ao redor da tampa. Dois copos americanos no balcão. O ranger do isopor ao receber a garrafa.

- Coloca um som aí pra nóis, Raimundo.  

O que há de errado nisso? Não vem mulher nenhuma aqui. Uma melodia alegre faz vibrar os alto-falantes empoeirados. A espuma jorra até a borda do copo.

Curimba não sabia de muita coisa; mas há que se dizer a verdade, também não era tolo. E não havia engolido o desaforo de mais cedo. Um dia igual outro qualquer, é o que pensou ao sair de manhã. Mesmo no ônibus velho que levava ele e seus companheiros pro serviço não via nada de diferente. Tinha a chuva é verdade. Mas não nunca foi homem de perder dia por pouca coisa. Fez o que tinha de fazer. Catou o guarda-chuva e apertou o passo. A capa de chuva ficou em cima do tanque.     

Na pedreira não foi diferente. Trocou uma prosa com a turma no rancho. Bebeu um gole de café da garrafa. Acendeu um cigarro e caminhou sobre a areia molhada. Trabalhava sozinho. A maioria trabalhava de dois. Enquanto um rancava as pedras a poder de marretadas o outro às cortava na banca com esquadro e taiadera. Sistemático demais o Curimba. Rancava na parte da manhã e cortava na parte da tarde. Mas não foi esse o problema. Cada um tem seu jeito. E a gente passa a respeitar cada um do jeito que é. Mas desaforo ninguém aceita.

-  Essa chuvinha aí vai vará à noite...- retruca o pintor quebrando o próprio silêncio.

Os dois no balcão concordam sem dizer nada.

- Eu vi na previsão que vai até quarta-feira – comenta o dono do boteco.

- Mas também tava precisando. O tempo tava seco demais - argumenta Curimba. 

- Chuvinha como essa é bom pra dormir...- diz o pintor. 

- Pois é... – disse Corimba enquanto recordava do acontecido.

Antes tivesse ficado dormindo. Foi o que pensou na hora que voltava  pra casa com o olhar perdido na janela do ônibus. Mas o que poderia ter feito? Sair no tapa? Não podia perder o serviço.  O João foi muito burro ao ter feito aquilo.  

- Que merda é essa?? – gritou o patrão feito um cão raivoso, ao ver Curimba, João e Melinho parados.

- Ah, minha nossa senhora... O homi vai toca o guiso – sussurrou Melinho.

- Como que trabaia nessa chuva, Melinho. Como? – retrucou João.

Minutos antes quando a chuva deu de engrossar, todos colocaram suas capas  e continuaram a trabalhar. Curimba revirou o imborná, e nada da capa de chuva. Teve de parar. Contrariado, é verdade. Não é de seu feito ficar atoa no serviço.  Melinho e João debaixo de seus guarda-chuvas estavam na mesma situação.

- Que palhaçada é essa!? Com ordem de quem que vocês estão parados?

Curimba permaneceu imóvel. Torna-se parte da paisagem. Olhar no chão e mão tremendo. Porcaria, como eu esqueço a merda da capa.

- Com ordem de quem? – repetiu o patrão enquanto o olhar da pedreira voltava-se silencioso para ele.

Curimba calado. Melinho arriscou abrir a boca pra dizer alguma coisa meio gaguejada.

- A gente...

- A gente é a puta que lhe pariu, seu criolo. Quem manda aqui sou eu. Voltem por serviço agora!

Os dois filhos do patrão estavam ao lado do pai igual padres ao redor do bispo. Com seus rostos bem barbeados, as mãos gordas, botinas gigantescas. Encobertos por guarda chuvas gigantescos.

Melinho saiu meio desnorteado. Curimba o seguiu a passos calmos. João não se moveu. Curimba não olhava pra trás. Então veio o horror...

O patrão enfiou um tapa na cara de João. O empregado revidou. Mas estava só naquele fim de mundo. Até o chão estava contra ele ou, com muita sorte imparcial. Os filhos se revelaram mais covardes que o pai. Jogaram João no chão. Curimba olhou pra trás nesse momento. Viu Melinho correr gritando:

- Pára, pára...

O pessoal dos “bancos"[1] saiu correndo pra ver a cena. Alguns se divertindo, outros indignados e a maioria por força do acaso.

 - Pára, pára...

Curimba era uma pedra.

- Pára, pára...

Lá estava João, feito um cachorro, com o corpo encolhido totalmente disposto a acolher um outro chute  no lombo enquanto o vento carregava seu guarda-chuva retorcido.

- Pára, pára...

Depois do segundo chute, Melinho se jogou sobre o corpo do amigo. Os agressores se afastaram. Os outros empregados mal chegaram, e patrão tratou de espanta-los.

- Voltem ao serviço! Corja...

Curimba se aproveitou do grupo para voltar pro serviço no anonimato. Melinho e João juntaram os trem e foram embora a pé. Uma caminhada de dez quilômetros debaixo de chuva.

Depois disso silêncio. As maretas urravam caladas. O metal cortando a pedra mudo. Os homens estavam mudos em suas trincheiras como um exército desesperançado.

Curimba está bêbado. Duas moedas na carteira é o que resta de seu dinheiro. Vai devagar pela calçada de pedra. Ao dobrar uma esquina e atravessar rua passa de frente do Bar do Zuca. Pensa em tomar mais uma. Aqui pode pegar fiado. No entanto, abaixa a cabeça e segue pra casa.

- Covarde!

Seu coração dispara. Olha pra trás. Mas não há ninguém. Só o burburinho do boteco. Tem a ligeira impressão de ver João dentro do Bar. Mas prefere apertar o passo.

Entra devagar. A mulher não diz nada. Acomoda suas coisas como todos os dias. Toma seu banho. A mulher lhe prepara a janta e vai deitar. Curimba chega logo em seguida. Deita-se com extremo cuidado. Não encosta na esposa. Vira pro canto, faz sua oração mas não dorme. Apertando o mão contra o rosto e chora feito criança.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1]  Banco de pedra, ou simplesmente banco é a porção da mina que cada minerador, ou dupla de mineradores ocupa e trabalha. Uma pedreira de  extração de quartzito é dividida em  vários bancos.

7月18日

Tratamento de choque

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Estou contaminado. Não, não vou morrer...Pelo menos não por enquanto... não se preocupe. Mas de alguma forma meu corpo está sendo atacado.

Mas nem pense em chamar os enfermeiros, porque isso não vai resolver.

Não me faça vomitar, já disse que o problema não é esse.  Já estou contaminado... Minha pele queima feito brasa...

Queimaduras de terceiro grau...

Meus lábios tremem... E não sei o que dizer..

Então acabo dizendo bobagem...

sem título

Me mostre o caminho do quarto... Diga como as coisas andam...

Não faça promessas que não possa cumprir e nem frases bonitas só pra me agradar...

Os braços fraquejam... A boca cala...

Você me contaminou de você, e só você pode me curar...

Oração

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Muitas vezes tenho vontade de desaparecer. Sumir. Evaporar, mas sem chover depois. Feito algodão doce na boca de criança. Gato arisco no fundo do terreiro. Sumir sem pedir nada em troca; na verdade, quero um pouco de nada, e desta forma cair no mundo das nadezas informes e inomináveis. Se ao menos tivesse um "q" de malandro, me passaria por artista. Mas isso é muita falta de vergonha na cara. Olhem o artista - diriam os safados. E eu pronunciaria algo pomposo e sem sentido e todos bateriam palmas recheando meu dia com risadas amarelas. Perdoai-vois Senhor, eles não sabem o que fazem e muitos menos eu sei o que digo. Talvez, se o Senhor fosse um pouco menos preguiçoso e benevolente as coisas não teriam tomado tal rumo. É por falta de couro que eu sou assim. É por falta de castigo que todos nós somos assim. O Senhor nos deu esse coração, bendito seja, para nos fazer sofrer e dessa forma melhorar o mundo. Mas me parece que Senhor anda se ocupando de outras coisas porque não vejo ninguém sofrer de verdade por aqui... É claro que tem algumas exceções...

Esses dias estive pensando e acho que Senhor tomou coração de volta, ou talvez tenha tirado ele para uma revisão de rotina, sei lá.  Mas o fato é que as coisas não andam como antes...

Esses dias mesmo, vi um homem que carregava duas latas de lavagem deixar uma delas cair bem no meio da rua, e não senti nada... Não ri e muito menos pensei em algo como "coitado..." Mas não é só isso, meu senhor... Outra noite, desejei sofrer um

ataque do coração... desejei isso com tanta força que quase tive um ataque mesmo... mas era tudo coisa da minha cabeça, porque afinal de contas o senhor me tomou o coração...

Ando tão sem graça que não estou aguentando mais ficar em lugar que tem muita gente, principalmente gente estranha, acho que não sei mais fingir um papel pros outros... é como se eu estivesse pelado no meio da rua, o Senhor entende? Não, o Senhor não entende...

nada

7月3日

Sobre as coisas

Já tem um bom tempo que eu não posto nada aqui, mas é porque não ando escrevendo nada,não estou escrevendo parado também.... Mas uma coisa é certa: As coisas são engraçadas demais. Um belo dia a gente acorda e fica pensando num rosto. Na verdade, em um sorriso... depois um nome... Então o trem começa a dominar tudo que a gente vai fazer. E isso sempre acontece quando a gente não esperava... é sempre de supetão que esses trem acontece... De onde veio essa moça que não sai da minha cabeça? Por que fico pensando nessa disgraçada? Só pode ser feitiço... algum tipo de macumba, ou simpatia não sei bem... ou talvez seja outra coisa... 
      
5月22日

Disquetes, dipirona e a chegada do pedreiro.

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Hoje eu percebi uma coisa que eu já sabia: não há com o que se preocupar, a coisa sempre se arruma.

Tenho a mania ruim, o defeito ingênuo de ficar escavando um sentido por trás dos detalhes.

Escafunjando contradições. Amarrando argumentos. Coisa de menino besta.

Hoje eu percebo que isso me trouxe a maioria das dores de cabeça que eu tive.

Poderia ter evitado muita dipirona se cortasse esse mau jeito pela raiz.

Um beijo é só um beijo.

E, sim... tem gente que é capaz de fingir o tempo todo.

Não, você não precisa bancar o difícil para ser mais feliz. E de forma alguma, a indiferença é um guardanapo sujo de baton.

Oh, os lugares acabam.

Somem mesmo.

...Ou pelo menos trocam de donos...

Não se usa mais disquetes.

Em breve nem mais CD’s.

Portanto, não insista... na maioria das vezes, trocar de CPU, fica bem mais barato que simplesmente trocar de peças.

Finalmente, joguei as paredes no chão...Acabei de implodir os alicerces...

Humm...Vejamos...

- Que horas chega o pedreiro???   

5月21日

Henry Miller

henry miller

Ganhei dois livros do Henry Miller do Morris. Hoje estava aqui folheando eles (ando só folheando as coisas). Estou em Standby. E me deparei com isso, bem no comecinho do trem:

“Olhando para minha vida passada, parece-me que nunca fiz coisa alguma por minha própria vontade, mas sempre pela pressão dos outros.(...)Minhas aventuras foram sempre adventícias, sempre foram impostas, sempre foram suportadas e não empreendidas.”

Trópico de Capricórnio -  Henry Miller.

 

O homem tem ciência...

5月20日

Sexo e cigarro

 
cigarro
- Perdi a vontade...
- Como assim?
- Estava pensando na minha mãe...
Acendo outro cigarro. Mas não espanto o fantasma – talvez um pernilongo.
- Tem certeza que foi isso?
- Me dá um trago...
 

Baseado em fatos reais...

Sobre Macacos, alfinetes e lanternas.

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Não sei como algumas pessoas conseguem se levar tão sério.

Tudo bem que a gente precisa se agarrar a alguma coisa para suportar as conveniências-inconvenientes do dia-a-dia;

não falo de pneu furado e lâmpada queimada.

Nem do arquivo que você perdeu porque seu pendrive queimou.

Sinceramente não entendo certas coisas.

É burrice demais na minha cabeça

– falta de exercício, ingenuidade ou muita cafeína e cigarro.

Não sou melhor que ninguém.

Nem pior.

Também não tenho direito de julgar discrepâncias alheias.

Mas o ridículo provoca seus juros.

Quando se vira às costas, às risadas comem soltas.

“Quem não tiver alfinetes que atire a primeira almofada”.

A risada maldosa é uma maneira de falarmos para nós mesmo: poderia ser pior.

Afirmamos que pelo menos não estamos na lanterna da própria vida.  

Eu queria ser mudo.

Também surdo.

E acima de tudo cego.

E se eu topo com o desgraçado do macaco que teve a brilhante idéia de descer da árvore...

 

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5月18日

Um post inútil.

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Deveria estar escrevendo sobre Rosseau... Fazendo um trabalho da faculdade que venho adiando a semana toda, mas ao invés disso venho aqui escrever sobre nada.

Domingo é foda.

O Morris me disse uma coisa mais cedo que resume bem o que o domingo provoca na gente: “Como se eu tivesse feito uma merda, mas nem me lembro o que”. Pecado Original? Sei lá. Desgraça de domingo.  

O fim de semana foi bom, e mesmo assim o domingo é uma merda. Se fosse pra encher a cara, não mudaria muita coisa. Mero artifício. Anestesia. Não resolve.  

Sem paciência pra ler.

Ver filme.

E nem me fale de televisão.

Nem música eu ouvi hoje – por incrível que pareça.

Mas então, acordo a amanhã e tudo volta ao “normal”. Ou pelo menos, essa atmosfera dominguística desaparece...  

5月14日

Ok...

Sempre comento os mesmos erros: nas coisas grandes e nas coisas pequenas. Deixo tudo para última hora. Acho que até na hora de morrer o convidado do velório vai ter de esperar meu atraso. O padre vai cochilar porque o defundo não chega. E alguma lágrima mais sem paciência vai tratar de tratar de outras coisas, porque afinal de contas há muitas coisas importantes a fazer.
5月13日

Prólogo

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O grande trunfo das pessoas é uma relíquia denominada auto-consciência. Um olhar direcionado sobre si mesmo, mas lançado a certa distância de si. Digamos que a vida seja uma apresentação, a apresentação de um ventrículo com seu boneco de madeira. Eu sou o boneco e Deus o ventrículo. A auto-consciência é a platéia, portanto, eu sou também a platéia. O olhar da platéia para o boneco é o que me confere identidade. Cada vez que o ventrículo cerra os lábios, experimento do livre-arbítrio, da liberdade… Mas, enquanto platéia, não posso perceber que é o homem quem fala pelo boneco… e mesmo que minha intuição me leve a crer que há algo errado na cena, minhas únicas reações são risos e aplausos… Minha vida é uma busca constante para tentar provar que a boca fechada do ventrículo não é um truque…     

5月12日

Verdade

- Eu só disse a verdade...
- Eu sei... Mas não precisava dizer desse jeito...
- Mas é verdade..
- Eu sei da verdade... Mas a forma como você disse... Me me machucou...
- Não foi essa minha intenção... Eu só..
- O fato que eu nem deveria estar aqui... Não sei porque ainda insisito nessas coisas...
- Não fique triste comigo...
- Você não tem culpa de nada... O problema é comigo... 
5月9日

Auto-retrato ao entardecer

Uma mistura absurda de sais minerais, proteínas e hidrocarbonetos...

Que biologicamente desordenados geram comportamentos contraditórios

e atitudes ingênuas:

Em raras oportunidades, estados de extrema concentração ou pelo menos insônia...

 Um conjunto articulado de ossos, músculos e nervos... Sistematicamente caóticos e coordenados cuja função é andar de um lado pro outro até se cansar...

e depois descansar...

Sou boca, lábios, dentes: sagazes – famintos; que perdem-se em uma náusea profunda quando devoram algo que não lhes agrada...

Sou um passado uterino e um futuro velório.

E não sei o quanto isso importa, desde q haja bilhetes de amor e piadas infames... Sou Pinóquio untado em gasolina...

 Prestes a deitar-se em uma fogueira de papeis de carta,

Para salvar a vida de alguns chipanzes de laborátio...

Constituído por um sistema circulatório interligado por veias do mais puro alumínio Centradas num coração de isopor retorcido,

Prefiro derrubar pontes de aço a construir cercas elétricas:

Uma constante batalha de bolhas de sabão contra satélites espiões...

Músicas tocadas ao contrário nos auto-falantes das Igrejas...

Televisões em chamas pelas ruas...

Poltronas cobertas por almofadas azuis...

Milhares de crianças de terno e gravata...

Cães sem mandíbulas hibernados em tavernas subterrâneas..

Entupo o silêncio com meus ouvidos... Viro os cotovelos do avesso...

Porque qualquer palavra agora pode estragar tudo...

o que mais eu poderia dizer:

 humano.