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9月29日 O dever de ser livre.
“Muito povo acompanhava Jesus. Voltando-se, disse-lhes: ‘Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo’ ”. Lucas 14: 25-26
O voto é um dever. Bom, quando eu estava na escola, lembro que as professoras sempre passavam dever pra gente. Isso era um meio de exercitar o conteúdo aprendido na sala de aula. Eu sempre fiz meu dever sozinho, porque era muita desonestidade pedir para mãe ou para o irmão mais velho fazer as tarefas da gente.
Nem todo mundo é assim. Tem sempre aqueles que deixam as tarefas que são suas, nas mãos dos outros. Porque tem medo de encarar a responsabilidade ou preguiça de pensar por si mesmo - realmente não é uma coisa muito fácil pensar por si mesmo. Também têm aqueles que apesar de fazerem as tarefas de casa, não fazem no sentido de apreender; mas para passar de ano, para ganhar nota, se a professora passa um dever que não terá um visto em vermelho, ou que acrescentará alguns pontos na média final, não fazem. Outros passam a fazer as tarefas só quando estão ameaçados de reprovação, estão precisando desesperadamente de nota... Mas os piores de todos, são aqueles que fazem tudo direitinho, simplesmente pra garantir o status de aluno dedicado, de geniozinho da sala.
Exercer um dever para obter resultados, é a pior forma de prostituição, seja por notas ou pelo desespero da reprovação. Mas os piores de todos são os que enganam a si mesmos pela vaidade de manterem a fachada de eternos vencedores. Ai daquele que cumpre seu dever por interesse...
Jesus foi a Verdade encarnada, e só poderia seguir a Verdade aquele que abandonasse os interesses pessoais e a vaidade pessoal, entregando-se enquanto indivíduo solitário a conquista da liberdade e da responsabilidade por si mesmo: eis o maior de todos os deveres – a cruz que temos que carregar.
Quem realiza um dever por interesse, seja qual for à natureza desse dever, é um mentiroso, mascarado, um covarde que tem medo de encarar a responsabilidade de ser livre, é o mesmo que grita no meio da multidão, contagiado pelo anonimato da massa: “Soltem Barrabás!!!”.
O verdadeiro sentido do voto é o exercício da liberdade do indivíduo perante sua comunidade, é o maior dever do cidadão. Aqueles que deixam a radicalidade desse sentido ser deturpada por interesses pessoais, por medo de coerção externa (se eu não votar nele perco meu emprego), e pela vaidade de estarem sempre vencendo (não voto em fulano porque vou perder meu voto), não podem ser chamados de cidadãos: não passam de crianças preguiçosas, malandras, desesperadas ou egocêntricas. Não acham que é hora de crescer crianças? Para terminar, lembro a célebre frase de Voltarie, defensor da democracia e da liberdade:"Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-la”.
Marcos Vinícius - 29 de setembro de 2008 |
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