Marcos Vinícius's profileREVERSE PhotosBlogListsMore ![]() | Help |
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May 22 Disquetes, dipirona e a chegada do pedreiro.
Hoje eu percebi uma coisa que eu já sabia: não há com o que se preocupar, a coisa sempre se arruma. Tenho a mania ruim, o defeito ingênuo de ficar escavando um sentido por trás dos detalhes. Escafunjando contradições. Amarrando argumentos. Coisa de menino besta. Hoje eu percebo que isso me trouxe a maioria das dores de cabeça que eu tive. Poderia ter evitado muita dipirona se cortasse esse mau jeito pela raiz. Um beijo é só um beijo. E, sim... tem gente que é capaz de fingir o tempo todo. Não, você não precisa bancar o difícil para ser mais feliz. E de forma alguma, a indiferença é um guardanapo sujo de baton. Oh, os lugares acabam. Somem mesmo. ...Ou pelo menos trocam de donos... Não se usa mais disquetes. Em breve nem mais CD’s. Portanto, não insista... na maioria das vezes, trocar de CPU, fica bem mais barato que simplesmente trocar de peças. Finalmente, joguei as paredes no chão...Acabei de implodir os alicerces... Humm...Vejamos... - Que horas chega o pedreiro???
May 21 Henry MillerGanhei dois livros do Henry Miller do Morris. Hoje estava aqui folheando eles (ando só folheando as coisas). Estou em Standby. E me deparei com isso, bem no comecinho do trem:
“Olhando para minha vida passada, parece-me que nunca fiz coisa alguma por minha própria vontade, mas sempre pela pressão dos outros.(...)Minhas aventuras foram sempre adventícias, sempre foram impostas, sempre foram suportadas e não empreendidas.”
Trópico de Capricórnio - Henry Miller.
May 20 Sexo e cigarroSobre Macacos, alfinetes e lanternas.
Não sei como algumas pessoas conseguem se levar tão sério. Tudo bem que a gente precisa se agarrar a alguma coisa para suportar as conveniências-inconvenientes do dia-a-dia; não falo de pneu furado e lâmpada queimada. Nem do arquivo que você perdeu porque seu pendrive queimou. Sinceramente não entendo certas coisas. É burrice demais na minha cabeça – falta de exercício, ingenuidade ou muita cafeína e cigarro. Não sou melhor que ninguém. Nem pior. Também não tenho direito de julgar discrepâncias alheias. Mas o ridículo provoca seus juros. Quando se vira às costas, às risadas comem soltas. “Quem não tiver alfinetes que atire a primeira almofada”. A risada maldosa é uma maneira de falarmos para nós mesmo: poderia ser pior. Afirmamos que pelo menos não estamos na lanterna da própria vida. Eu queria ser mudo. Também surdo. E acima de tudo cego. E se eu topo com o desgraçado do macaco que teve a brilhante idéia de descer da árvore...
May 18 Um post inútil.
Deveria estar escrevendo sobre Rosseau... Fazendo um trabalho da faculdade que venho adiando a semana toda, mas ao invés disso venho aqui escrever sobre nada. Domingo é foda. O Morris me disse uma coisa mais cedo que resume bem o que o domingo provoca na gente: “Como se eu tivesse feito uma merda, mas nem me lembro o que”. Pecado Original? Sei lá. Desgraça de domingo. O fim de semana foi bom, e mesmo assim o domingo é uma merda. Se fosse pra encher a cara, não mudaria muita coisa. Mero artifício. Anestesia. Não resolve. Sem paciência pra ler. Ver filme. E nem me fale de televisão. Nem música eu ouvi hoje – por incrível que pareça. Mas então, acordo a amanhã e tudo volta ao “normal”. Ou pelo menos, essa atmosfera dominguística desaparece... May 14 Ok...Sempre comento os mesmos erros: nas coisas grandes e nas coisas pequenas. Deixo tudo para última hora. Acho que até na hora de morrer o convidado do velório vai ter de esperar meu atraso. O padre vai cochilar porque o defundo não chega. E alguma lágrima mais sem paciência vai tratar de tratar de outras coisas, porque afinal de contas há muitas coisas importantes a fazer. May 13 PrólogoO grande trunfo das pessoas é uma relíquia denominada auto-consciência. Um olhar direcionado sobre si mesmo, mas lançado a certa distância de si. Digamos que a vida seja uma apresentação, a apresentação de um ventrículo com seu boneco de madeira. Eu sou o boneco e Deus o ventrículo. A auto-consciência é a platéia, portanto, eu sou também a platéia. O olhar da platéia para o boneco é o que me confere identidade. Cada vez que o ventrículo cerra os lábios, experimento do livre-arbítrio, da liberdade… Mas, enquanto platéia, não posso perceber que é o homem quem fala pelo boneco… e mesmo que minha intuição me leve a crer que há algo errado na cena, minhas únicas reações são risos e aplausos… Minha vida é uma busca constante para tentar provar que a boca fechada do ventrículo não é um truque… May 12 Verdade- Eu só disse a verdade...
- Eu sei... Mas não precisava dizer desse jeito...
- Mas é verdade..
- Eu sei da verdade... Mas a forma como você disse... Me me machucou...
- Não foi essa minha intenção... Eu só..
- O fato que eu nem deveria estar aqui... Não sei porque ainda insisito nessas coisas...
- Não fique triste comigo...
- Você não tem culpa de nada... O problema é comigo... May 09 Auto-retrato ao entardecerUma mistura absurda de sais minerais, proteínas e hidrocarbonetos... Que biologicamente desordenados geram comportamentos contraditórios e atitudes ingênuas: Em raras oportunidades, estados de extrema concentração ou pelo menos insônia... Um conjunto articulado de ossos, músculos e nervos... Sistematicamente caóticos e coordenados cuja função é andar de um lado pro outro até se cansar... e depois descansar... Sou boca, lábios, dentes: sagazes – famintos; que perdem-se em uma náusea profunda quando devoram algo que não lhes agrada... Sou um passado uterino e um futuro velório. E não sei o quanto isso importa, desde q haja bilhetes de amor e piadas infames... Sou Pinóquio untado em gasolina... Prestes a deitar-se em uma fogueira de papeis de carta, Para salvar a vida de alguns chipanzes de laborátio... Constituído por um sistema circulatório interligado por veias do mais puro alumínio Centradas num coração de isopor retorcido, Prefiro derrubar pontes de aço a construir cercas elétricas: Uma constante batalha de bolhas de sabão contra satélites espiões... Músicas tocadas ao contrário nos auto-falantes das Igrejas... Televisões em chamas pelas ruas... Poltronas cobertas por almofadas azuis... Milhares de crianças de terno e gravata... Cães sem mandíbulas hibernados em tavernas subterrâneas.. Entupo o silêncio com meus ouvidos... Viro os cotovelos do avesso... Porque qualquer palavra agora pode estragar tudo... o que mais eu poderia dizer: humano.
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